
Há cerca de 3 meses, a Área de Proteção Ambiental (APA) de Marapendi completou 20 anos. Desde então penso que nós, habitantes dessa cidade, devemos comemorar todos os dias sua implantação.
Se não existissem as zonas de conservação integral e as áreas de uso restrito, quantos “lotes 17” teriam sua taxa de ocupação alterada?Quantos empreendimentos anulariam a faixa marginal de proteção? Quantas construções transformariam aquela paisagem única, que pertence a toda a população, em um paredão de concreto?
Apesar disso, ameaças de mudança na legislação para servir a interesses imobiliários continuam, com as esfarrapadas desculpas de possível favelização (alguém acredita que os ditos proprietários permitiriam?) e de necessidade hoteleira para as Olimpíadas.
Todo cuidado para ali é pouco. Isto é a nossa celebração.
Os barcos poluidores, a pesca clandestina, lixo e esgoto ainda coexistem. Ainda que por tantos anos, tantas vezes se discutiu, escreveu, cobrou o saneamento da Baixada de Jacarepaguá e, mais especificamente, a despoluição daquele complexo lagunar, a situação continua periclitante. Redes de esgoto, elevatórias, interceptor oceânico, tudo isso já foi inaugurado e reinaugurado. Fóruns, congressos, seminários continuam anunciando redes de captação e de tratamento de esgoto, dragagem, reflorestamento das encostas, canalização de rios e intervenções em redes de drenagem. 500 milhões, 1 bilhão e meio, são cifras já destinadas para o saneamento da região e no entanto os mesmos problemas persistem.
No Plano Piloto para a Baixada de Jacarepaguá, Lúcio Costa escreveu há mais de 40 anos: “há a necessidade das providências cabíveis para implantação da infraestrutura indispensável ao desenvolvimento ordenado da região”. Apesar dos FECAM, PAC, Cedae, investimentos privados, o que está faltando?
Todo cuidado ali é pouco. Esta é a nossa celebração.