Política Nacional de Resíduos Sólidos: o que ganhamos com isso?*

July 28th, 2010


Fotos do Marcos Prado em Jardim Gramacho, Duque de Caxias, RJ

O Congresso Nacional costuma nos brindar com indecifrável lerdeza ou desinteresse quando se trata de projetos de lei que diminuam nossa vulnerabilidade, como a recente lei sobre a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS). Ela ficou esquecida 21 anos em comissões, gavetas, escaninhos e recebeu um mundo de emendas, muitas delas contraditórias ou aniquilantes. Cabe ao Presidente da República sancionar ou vetar a referida lei. Caso ele a ignore em até 15 dias úteis após recebê-la, a lei estará automaticamente aprovada. Depois disso terá que ser, ainda, regulamentada. Aí sim teremos o marco legal que irá instrumentar as ações regionais e municipais de gestão do nosso lixo de cada dia.

Cerca de 60% dos municípios só dispõem de lixões a céu aberto, quase sempre à margem de rios, sem nenhuma proteção do solo ou do corpo hídrico, provocando, com isso, graves impactos ao ambiente, como a sua contaminação por substâncias nocivas. Esses lixões, focos de vetores de doenças e de poluição, agravam o efeito estufa através da emanação do gás metano resultante da sua decomposição. Outra questão, tão problemática quanto a ambiental, é a questão social. Os depósitos irregulares atraem pessoas para uma situação de absoluta indignidade humana ao sobreviverem com a mistura dos restos que dispensamos.

Substituir os lixões por centrais de tratamento de resíduos diz respeito direto à nossa saúde, bem estar, qualidade de vida. Ao definir regras, diretrizes e responsabilidades para a destinação correta de pneus, baterias, pilhas, entulho, além do resíduo orgânico e demais recicláveis; ao impedir o descarte inadequado no solo e nos corpos hídricos; ao obrigar o retorno de embalagens através da logística reversa, poderemos usufruir de água mais limpa, ar mais puro, solo mais propício ao cultivo. Significa, além disso, economia de recursos naturais e menores gastos públicos com coleta e destino final dos resíduos sólidos.

A promulgação da PNRS acarretará na organização e qualificação dos catadores para inserção, como profissionais, nos sistemas de coleta e separação de materiais recicláveis, a nossa participação no planejamento da coleta seletiva e gerenciamento de resíduos das cidades, bem como na consolidação da educação ambiental como conquista e benefício permanente. Agora só nos resta exigir dos governantes que essa lei seja cumprida. Como este é um ano de eleições, tomara que saibamos quem escolher para que ela se torne realidade.

*Texto escrito a convite do Jornal da Tarde (Grupo Estado) por Vera Chevalier, diretora-presidente da Ong Ecomarapendi

CURSO – A RECICLAGEM DE PLÁSTICOS

July 26th, 2010

CURSO BÁSICO

Público Alvo

Ambientalistas, educadores, pessoas que atuam no 3º setor,estudantes e demais interessados em obter informações básicas sobre reciclagem de plásticos.
Conteúdo

- Meio Ambiente:

  • lixo doméstico (composição);
  • potencial socioeconômico;
  • coleta seletiva;
  • legislação para a coleta de embalagens;
  • novos incentivos para a reciclagem.

- Resina Plástica:

  • definições;
  • identificação rápida;
  • índice de fluidez;
  • aplicações de PE PP e PET;
  • plásticos “verdes”;
  • plásticos biodegradáveis e oxibiodegradáveis.

- Processos de Reciclagem:

  • viabilidade econômica;
  • reciclagem mecânica;
  • equipamentos;
  • fluxograma.

Palestrante: Eng. Adilson Santiago Pires

Data: 28 de agosto de 2010, das 8:30 às 12:30

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CURSO AVANÇADO

Público Alvo

Profissionais liberais, estudantes de nível superior, recicladores de plástico, proprietários de depósitos de sucatas, e participantes de cooperativas de catadores, interessados em agregar valor a produção.

Conteúdo

- Noções dos processos de transformação dos plásticos:

  • injeção, extrusão e sopro;

- Processos de Reciclagem:

  • viabilidade econômica;
  • reciclagem mecânica;
  • equipamentos;
  • processo de reciclagem de PE, PP e PET;
  • preços de recicláveis;
  • separação de misturas de plásticos por densidade;
  • PET reciclado;
  • aplicações;
  • fornecedores de sucata plástica;
  • noções de eletricidade;
  • decantador para separação de lama.

- Projeto de uma Recicladora:

  • estudo de viabilidade técnico-econômica;
  • custos fixos e variáveis;
  • capital de giro;
  • retorno do investimento;
  • ponto de equilíbrio;
  • rentabilidade.

Palestrante: Eng. Adilson Santiago Pires

Data: 28 de agosto de 2010, das 13:30 às 17:30
Inscrições: faça aqui o  download da ficha de inscrição e envie preenchida para o e-mail eco@recicloteca.org.br

Investimento:

Curso Básico – R$ 200,00
Curso Avançado – R$ 250,00
Para os 2 cursos – R$ 430,00

Incluso apostila e coffe break

Atenção: É o único evento que aborda a reciclagem de polietileno, polipropileno e PET num só seminário.

Local:
Recicloteca
Rua Miranda Valverde, 118/101
Botafogo – Rio de Janeiro
Tel: 2551-6215 / 2552-6393

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* Palestrante: Eng. Adilson Santiago Pires

  • Engenheiro Químico pela UFRJ
  • Concluiu os Cursos de Identificação de Materiais Plásticos, Injeção de Plásticos e de Extrusão de Filmes Plásticos Tubulares – FIESP
  • Atuou 26 anos em Ind. Químicas nas áreas: Industrial / Qualidade, Meio Ambiente,Treinamento e Desenvolvimento;
  • Administrou recicladoras de polietileno e de poliestireno+ABS;
  • Gerenciou o projeto de coleta seletiva do Centro de Reabilitação Piracicaba-SP;
  • Trabalhou como consultor em projeto para  reciclagem de frascos plásticos de óleo lubrificante, financiado pela FAPESP, com participação de pesquisadores da UFSCar e da UNESP;
  • Está desenvolvendo atualmente um processo para a desmetalização e reciclagem de CD (policarbonato);
  • Ministra cursos e palestras relacionados à reciclagem de plásticos em diversas instituições e para grupos particulares;
  • Participa de seminários de reciclagem de plásticos e coleta seletiva;
  • Atua na área de reciclagem de plásticos desde 1994.

Aproveite tudo!

July 21st, 2010

O lixo domiciliar no Brasil é composto de mais de 50% de matéria orgânica, isto é, alimentos que foram adquiridos, mas não consumidos. E que, infelizmente, acabam estragando e indo parar na lixeira. Outro fator que contribui para esse desperdício é a quantidade de cascas e talos que são descartados, alguns por uma questão cultural do brasileiro de descascá-los, como é o caso da cenoura e pepino, e outros por pura falta de conhecimento da quantidade de nutrientes que possuem, como é o caso da casca da banana, que tem o dobro de potássio que a polpa da fruta (Unesp).

Isto pode parecer pouco, mas não é. Os números são assustadores. Em um país que ainda tem uma parte da sociedade que carece da quantidade mínima de nutrientes por dia, há uma outra parcela da população que joga fora um volume aproximado de 24,2 milhões de toneladas de alimentos por ano.

Com o intuito de combater esse desperdício, a Recicloteca coloca a disposição dos seguidores do seu blog receitas que aproveitam integralmente os alimentos. Neste post, você pode conferir a receita de Bolo de Casca de Banana e Quiche de Casca de abóbora.

Foto Ilustrativa. Fonte: Blog 100% Açúcar

Bolo de Casca de Banana
Massa:
4 unidades de casca de banana
2 unidades de ovo
2 xícaras de leite
2 colheres de margarina
3 xícaras de chá de açúcar
3 xícaras de chá de farinha de rosca
1 colher de sopa de fermento em pó

Cobertura:
1/2 xícara de chá de açúcar
1 xícara e 1/2 de chá de água
4 unidades de banana
1/2 unidade de limão

Modo de Preparo – Massa:
Lave as bananas e descasque. Separe as cascas para fazer a massa. Bata as claras em neve e reserve na geladeira. Bata no liquidificador as gemas, o leite, a margarina, o açúcar e as cascas de banana. Despeje essa mistura em uma vasilha e acrescente a farinha de rosca. Mexa bem. Por último, misture delicadamente as claras em neve e o fermento. Despeje em uma assadeira untada com margarina e efarinhanda. Leve ao forno médio pré-aquecido por aproximadamente 40 minutos.

Modo de Preparo – Cobertura:
Queime o açúcar em uma panela e junte a água, fazendo um caramelo. Acrescente as bananas cortadas em rodelas e o suco de limão. Cozinhe. Cubra o bolo ainda quente.
A casca da banana é rica em potássio.

Foto Ilustrativa. Fonte: Oba Gastronomia


Quiche de Casca de Abóbora
Massa:
Farinha de trigo 1 2/3 xícara (chá)
Gema 1 unidade
Sal a gosto
Margarina 3 colheres (sopa)
Água 3 colheres (sopa)

Recheio:
Cebola picada ½ xícara (chá)
Alho 1 dente
Óleo 2 colheres (sopa)
Casca de abóbora 2 xícaras (chá)
Água ½ xícara (chá)
Sal a gosto

Creme de Queijo:
Ovo 2 unidades
Leite ½ xícara (chá)
Queijo parmesão 2 colheres (sopa)

Modo de Preparo:
Para a massa, misture todos os ingredientes, deixando por último a água. Amasse bem até obter uma massa homogênea. Abra a massa sobre o fundo da assadeira com a ajuda de um rolo e filme plástico, deixando sobrar a borda. Fure a massa com um garfo, para que não se formem bolhas ao assar. Asse em forno pré-aquecido até dourar. Para o recheio, refogue, em uma panela, a cebola e o alho no óleo. Acrescente a casca da abóbora ralada, junte a água e cozinhe. Verifique o sal e deixe esfriar. Coloque o recheio sobre a massa. Para o creme de queijo, bata no liquidificador o ovo, acrescente o leite e o queijo parmesão. Despeje sobre o recheio da casca de abóbora e leve para assar em forno pré-aquecido até o creme de queijo dourar.
A casca da Abóbora é rica em vitamina A.

Fonte das receitas: Programa Sesi Cozinha Brasil

Além disso, no site da Recicloteca é possível assistir dois vídeos com receitas de Aproveitamento Integral de Alimento.

Conheça o Programa Sesi Cozinha Brasil

Saiba mais sobre as propriedades de talos e cascas no site da Unesp.

Consumo consciente em debate

July 19th, 2010

No programa Rio em Foco* – Especial Consumo Consciente, o consultor ambiental da Ong Ecomarapendi, Eduardo Bernhardt debateu sobre a importância do consumo consciente no combate ao desperdício e suas implicações para a sustentabilidade do planeta.

Também participaram da mesa de debates o presidente do Brasil Pnuma, Haroldo Mattos de Lemos e o diretor de relações com o governo da Wal-Mart Brasil, Carlos Ely.

Vale a pena conferir o debate através do site do Rio em Foco .

*O Rio em Foco é o programa de televisão do Fórum de Desenvolvimento do Rio. Ele vai ao ar toda segunda-feira, às 22h, na TV Alerj (canal 12 da Net), com reprises aos sábados às 17h e domingos às 20h.

Sacola Plástica é uma questão de bom senso!

July 16th, 2010

Sacola retornável da Recicloteca aberta


O uso das sacolas plásticas já faz parte de um debate nacional. Prova disto é a iniciativa do Ministério do Meio Ambiente com a campanha “Saco é um Saco”.

Além do debate, alguns estados, como São Paulo e Rio de Janeiro, tentam regulamentar esta questão. Hoje, por exemplo, passa a valer no Estado do Rio de Janeiro a Lei das Sacolas Plásticas (Lei 5502/2009), que propõe a substituição das sacolas plásticas pelas retornáveis. São leis relevantes que podem nos auxiliar enquanto sociedade a mudar alguns dos nossos hábitos de consumo.

O que precisamos entender sobre este tema é que a sacola plástica não é a vilã do meio ambiente, como propagado por muitos. Na verdade, o grande problema dela é o seu uso irracional. É comum qualquer produto ser colocado em uma ou duas sacolas, às quais depois não conseguiremos dar uma nova finalidade e acabarão sendo descartadas indevidamente nas ruas, rios e vazadouros a céu aberto.

Sacola retornável da Recicloteca fechada

Ao embalar suas compras diariamente faz-se necessário usar o bom senso. Só levar para casa a quantidade de
sacolas realmente necessárias e que poderão ser reutilizadas com uma nova finalidade, mesmo que seja embalar lixo. O excesso de sacolas consumidas e descartadas é que as transformam em um problema ambiental.

A utilização de sacolas retornáveis é uma boa saída para a racionalização deste uso. Mas, cabe ressaltar que sacola retornável é qualquer sacola, seja de plástico, tecido, lona e, mesmo, aquela que estiver guardada no seu “puxa saco”.

Use o seu bom senso ao carregar suas compras para casa!

Saiba mais sobre a campanha Saco é um Saco

Veja a Lei das Sacolas Plásticas do Estado do Rio de Janeiro

Na conta do lixo

July 15th, 2010

Eduardo Bernhardt


Eduardo Bernhardt é formado em biologia, é professor, educador ambiental e consultor do projeto Recicloteca da ONG Ecomarapendi. Há oito anos na Recicloteca, Bernhardt pesquisa, organiza e difunde informações sobre lixo, reciclagem e meio ambiente, além de ministrar cursos, palestras e oficinas sobre o tema. Nesta entrevista, ele fala sobre o impacto ambiental dos Resíduos Sólidos bem como sobre a “Filosofia dos 3Rs” – Reduzir, Reaproveitar e Reciclar.

1) Quais são os maiores problemas que as grandes cidades têm hoje pela falta de reciclagem do lixo?

Eduardo - O baixo índice de coleta seletiva e da reciclagem resulta em excesso de lixo nos depósitos, e mesmo nas ruas. É que coleta seletiva e reciclagem são mais estimulantes para que a população evite jogar lixo no rio, na rua ou num terreno baldio do que simplesmente expor que é falta de educação, por exemplo. Quando isso acontece temos entupimento de bueiros e enchentes, focos de animais transmissores de doenças (ratos, baratas, moscas e mosquitos) além de poluição ambiental que atinge o solo, as águas subterrâneas e até o ar (especialmente quando o lixo é queimado e/ou depositado em lixões).
Na verdade considero o prejuízo econômico o mais relevante problema da falta de reciclagem, e olha que sou ambientalista! Mas é o que mais me chama atenção. Segundo o IPEA (Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas), a reciclagem pode economizar cerca de R$ 8 bilhões por ano. Hoje essa economia varia de R$ 1,3 a 3 bilhões anuais. O cálculo leva em consideração apenas aspectos econômicos e ambientais da geração, descarte e destinação de lixo. No fundo, o baixo índice de coleta seletiva e reciclagem refletem a falta de um gerenciamento integrado de resíduos sólidos que leve em consideração a gestão do lixo e não apenas recolher, transportar e guardar (como é hoje). Levando isso em consideração, a economia seria ainda maior, pois entrariam na conta os benefícios sociais de geração de emprego e renda, além de redução de danos à saúde da população. No gerenciamento investe-se em educação, informação, redução de desperdício, reaproveitamento, reciclagem, compostagem, aterro sanitário, descontaminação / segurança de resíduos perigosos e tudo o que possa racionalizar nossa relação com os resíduos. Numa estimativa bem especulativa, a cifra iria fácil a mais de R$ 10 bilhões por ano, mas quanto vale a qualidade de vida da população brasileira? Acho que vale bem mais que isso. Cuidar do lixo dá dinheiro para o país.

2) Como fazer para reciclar materiais como o chamado e-lixo, pilhas, óleo de cozinha, sacolas plásticas e outros materiais que prejudicam o meio ambiente?

Eduardo – O lixo eletrônico é bem frustrante. Não há lei que obrigue os fabricantes a recebê-los de volta. Algumas empresas recolhem por iniciativa própria os de suas marcas e empresas especializadas na desmontagem e recuperação dos materiais recicláveis os recebem, mas elas são raras e de alcance limitado. Na pergunta seis eu coloquei contatos variados de alguns estados que recebem pilhas, lixo eletrônico e óleo. Por enquanto, esses três dependem da iniciativa do consumidor para ter um destino correto. Se ele não levar pessoalmente a algum lugar especializado, vai tudo pro depósito de lixo. As sacolas plásticas ainda podem entrar na coleta seletiva convencional, mas o ideal é racionalizar o uso delas evitando o excesso que acaba virando desperdício. Aliás, vale a ressalva: as sacolas não são as vilãs do meio ambiente como se diz por aí. Sabendo usar e substituindo por retornáveis é possível reduzir o consumo e reutilizar na lixeira e em outras situações, na medida certa. Mais uma vez, afirmo que vale o equilíbrio.

3) Quais são as principais conseqüências para o meio ambiente ao se jogar estes materiais no lixo comum? Quanto tempo estes materiais levam para se decompor?

Eduardo – Pilhas e

Pilhas Sony AA Ultra Heavy Duty

lixo eletrônico contaminam tudo pela frente, ao lado, acima e abaixo também. A maior preocupação é o metal pesado que eles contem, pois ele não se degrada se acumula na cadeia alimentar e acaba chegando a nós, humanos de um jeito ou de outro. O óleo polui o solo e a água em que ele tiver contato. As sacolas jogadas em locais públicos entopem bueiros e contribuem para as enchentes. Quando elas se decompõem, a tinta do tingimento e das logomarcas contamina o solo e a água. Se queimadas, essas tintas viram dioxinas, substâncias altamente tóxicas que são carreadas pelo vento. Isso tudo está acontecendo agora mesmo por todo o Brasil. É efeito imediato e de longa duração, já que estes materiais demoram muitos anos para se decompor, o que nem é interessante, já que muito da contaminação vem da decomposição deles. O ideal é reciclar o que der e guardar isolado o que não puder ser aproveitado.

4) A curto prazo, quais os efeitos que a falta de reciclagem surtirá no planeta?

Eduardo – De imediato, o aquecimento global já cai na conta do lixo. Mais pela sua parcela orgânica, é claro, cuja decomposição gera o gás metano (CH4) que é 21 vezes mais estufa do que o gás carbônico (CO2). Em seguida vem a contribuição para a escassez de água potável, já que o modelo atual polui demais as águas superficiais e subterrâneas. A falta de espaço próximo às grandes cidades é um risco, pois o alto custo de construir aterros sanitários, que precisarão ser cada vez mais distantes, pode resultar em depósitos inadequados, implantados por cidades em que o licenciamento ambiental correto é substituído por “licenças relâmpago” de idoneidade duvidosa. Tudo em prol da ‘economia’ de recursos públicos. Assim mais contaminação ambiental pode ocorrer. A pressão sobre os recursos naturais, especialmente os não renováveis (metais, vidro, plástico) também pode aumentar muito resultando em escassez e alta no seu preço, além do aumento do impacto ambiental para explorar fontes destas matérias-primas que são de difícil acesso. Veja o caso da exploração submarina de petróleo e a tragédia que se abateu sobre o Golfo do México. A parcela de petróleo usada para fabricar plásticos ainda é pequena, mas tende a continuar aumentando. De qualquer forma, somos dependentes de recursos naturais que são desperdiçados com embalagens descartáveis de necessidade muito duvidosa.

5) O que já foi degradado no meio ambiente pode ser recuperado?

Eduardo -
Quase tudo. A recuperação é bem polêmica, pois não há consenso em algumas ‘recuperações’ que soam mais a engodo. Transformar lixão em aterro controlado é um dos engodos. Melhora, mas é uma melhora bem limitada. Há vários níveis de controle e lixões geralmente estão tão mal localizados que os impactos na vizinhança são difíceis de serem eliminados pra recuperar a qualidade de vida de quem vive nas redondezas. Além do mais é sempre mais caro, difícil e lento recuperar do que prevenir.

6) Quais são as alternativas para se reciclar pilhas, óleo de cozinha, e-lixo, sacolas plásticas e outros materiais?

Eduardo – Para fazer a coleta seletiva recomendo ler a seção de mesmo nome na página da Recicloteca. Separar para a coleta seletiva é facílimo, basta uma segunda lixeira para o material reciclável que deve estar limpo e seco. O critério de separação lixo úmido/seco resolve a maioria das dúvidas quanto ao que é e o que não é reciclável. Assim fica mais fácil e atraente separar o material.

Seguem, os contatos que mencionei na Questão 2.

Para destinação de pilhas:
Programa Papa Pilhas do Banco real

Para destinação de sucata eletrônica:
Em todo o Brasil – Comitê para Democratização da Informática (CDI)
No Rio de Janeiro – Sucata Eletrônica, PC Vidas e Repensar
Em São Paulo – Museu do Computador, Casas André Luiz, Recicomp, Lixo Digital e Oxigênio (Procure pelo projeto Centro de Recondicionamento de Computadores)
No Rio Grande do Sul – Pensamento Digital

Para destinação de óleo vegetal:
No Rio de Janeiro e em Recife: Cooperativa Disque Óleo Vegetal
Para o Estado do Rio de Janeiro: Programa de Reaproveitamento de Óleos Vegetais – Prove / INEA
Para Santo André (SP) – Instituto Triângulo

Entrevista concedida à jornalista Ana Rosas Alkmin, por e-mail, para a Revista Novas Ideias! – Polishop.

O PAÍS DOS AVANÇOS E RETROCESSOS

July 14th, 2010

O dia em que o Brasil retrocedeu. Fonte: Câmara dos Deputados

Semana passada, o Brasil conseguiu avançar e, ao mesmo tempo, retroceder em sua agenda ambiental. Foi dado um passo para frente e vários para trás.

Na terça-feira, uma Comissão da Câmara de Deputados aprovou o projeto do Novo Código Florestal (PL-1876/1999), com texto do deputado Aldo Rebelo, do PCDOB de São Paulo. O projeto terá que ser aprovado no Plenário da Casa e posteriormente encaminhado para discussão no Senado Federal.

Menos de 24h depois, o Senado Federal aprovou a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS –

Audiência conjunta de quatro Comissões para debater Política Nacional de Resíduos Sólidos. Fonte: Agência Senado

PL 203/91), considerada um avanço para a gestão do lixo no país. Este Projeto de Lei está tramitando há 21 anos no Congresso.

Com estes dois atos, é possível perceber as incongruências de um Congresso que ainda não se entende sobre a questão ambiental. Por um lado, ele dá sinal verde para o setor ruralista desrespeitar as regras atuais de preservação ambiental e, por outro, transforma em crime a má gestão de resíduos por parte de empresas e prefeituras.

Com relação ao novo Código Florestal, se chegar às mãos do Presidente da República para ser sancionado, ele trará uma série de conseqüências negativas para a proteção de bacias hidrográficas e áreas de preservação permanente.

De acordo com o novo Código Florestal, os produtores rurais, que não tenham mantido as áreas de preservação permanente em suas terras até julho de 2008, quando a Lei de Crimes Ambientais foi regulamentada, serão anistiados de suas multas e não terão a obrigação de recuperar as áreas degradas.

A comemoração do País  que anda pra trás. Fonte: Câmara dos Deputados

Sobre as áreas de preservação permanente nas margens dos rios, esta distância será flexibilizada. Para córregos e riachos com até cinco metros de largura, a área de preservação cai para quinze metros, metade da exigência atual.

Segundo o relator, estas mudanças foram feitas com vista às pequenas propriedades, de até quatro módulos. Mas os módulos mudam de região para região no país. Na Amazônia, cada módulo pode chegar a 100 hectares, isto é 10 km². Ou seja, propriedades de 40km².

Além disso, o projeto estabelece que cabe aos Estados regulamentar uma política ambiental que responda às diretrizes estabelecidas pelo novo Código Florestal.

Para entender o porquê da Política Nacional de Resíduos Sólidos ser considerada um avanço para a sociedade brasileira, leia outro texto publicado no Blog sobre o assunto.

Acesse a o Projeto do Novo Código Florestal na íntegra através do site da Câmara dos Deputados

Em entrevista para o Jornal das Dez, Aldo Rebelo anuncia que renunciará ao mandato se sua lei provocar o desmatamento de um hectare que seja. Confira no site da Globo News.

O Projeto da Política Nacional de Resíduos Sólidos também está disponível no site do Congresso.

Elmo Amador, um ser da natureza!

July 9th, 2010

Fonte: Museu da Vida

Geógrafo, professor universitário, militante, defensor declarado da Baia de Guanabara e de seus mangues, Elmo da Silva Amador era uma destas pessoas emblemáticas de um movimento que busca a defesa do meio ambiente.

Catarinense de nascimento, Elmo passou a maior parte da sua vida no Rio de Janeiro. Motivo da mudança: o porto na Baia de Guanabara, baia que simbolizou sua luta ambiental. Filho de pai marinheiro, a proximidade com o porto possibilitava a presença mais constante da figura paterna em casa.

A infância pobre recheada de cenas de violência na baixada fluminense levou Elmo a apurar sua forma de perceber o mundo em que estava inserido e a transformá-lo. Em entrevista ao Museu da Pessoa, Elmo relata como essa fase de sua vida o fez ser como ele o era:

“Eu passei a ver o mundo com um olhar muito crítico, de ver muita injustiça social. Marcou muito. Profundamente. Não só pela minha origem, mas eu passei a observar também o desigual, e essa desigualdade me marcou muito em termos de militância pessoal, militância social, depois mais tarde militância política, e depois a militância política ela imbrica com a militância ambiental, quer dizer, hoje, na verdade eu faço uma militância que é política e ambiental ao mesmo tempo”.

Juntou seu conhecimento acadêmico à prática da militância ambiental com maestria. Os estudos sobre a Baía de Guanabara se iniciaram no final da década de 60, e continuaram ao longo de toda a sua vida, o que gerou um envolvimento profundo, começando pela geologia, passando pelo estudo do ecossistema, de parte da história da baia e da degradação ambiental propriamente dita. Todo este conhecimento se transformou em sua tese de doutorado e, posteriormente, virou o livro “Baía de Guanabara e Ecossistemas Periféricos: Homem e Natureza”. Os seus embates em defesa da Baía o levaram a fundar a Assembléia Permanente de Entidades em Defesa do Meio Ambiente (Apedema) e o movimento Baía Viva.

O falecimento de Elmo, no último dia 30, representa uma perda não apenas para as lutas ambientais, mas para toda uma sociedade que precisa cada vez mais de pessoas com a percepção de mundo como a deste guerreiro.

Acesse a entrevista no Museu da Vida.

SÓ FALTA SANCIONAR!

July 8th, 2010

Falta pouco para que o Brasil tenha uma lei que disponha sobre o tratamento do lixo, ou resíduo sólido.

O Projeto de Lei 203/91, que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos, está tramitando no Congresso Nacional desde outubro de 1989, quando foi lida pela primeira vez em Plenário. Apenas ontem à noite, dia 07 de julho, ela foi aprovada no Senado Federal.

Para que a lei entre em vigor, o Presidente da República terá 15 dias úteis, a partir da data do recebimento, para sancioná-la. Vamos acompanhar este processo.

Fonte: Marcos Prado

Situação Atual

Hoje, não existe uma regra comum sobre o gerenciamento adequado dos resíduos sólidos. Contamos apenas com as Resoluções Conama, que estabelecem diretrizes para a destinação de alguns materiais como pneumáticos e pilhas e baterias. No entanto, estas Resoluções não possuem força de lei.

Apesar dos 21 anos de tramitação, esta proposta de lei é considerada moderna. Destacamos três pontos que consideramos importantes:

- Empresas, cidadãos e governo, isto é, todos terão responsabilidade compartilhada no tratamento do lixo.
- A presença do conceito da logística reversa, em que os fabricantes, importadores, distribuidores e vendedores terão obrigações sobre o recolhimento das embalagens descartadas.
- Haverá também estímulo às atividades das cooperativas de catadores e indústrias da reciclagem através de incentivos fiscais.

A lei é extensa e possui muitos pontos relevantes para regulamentação deste problema social e ambiental provocado pela quantidade monumental de resíduos descartados hoje, associado ao gerenciamento inadequado do mesmo.

Vale a pena ler o Projeto de Lei que estabelece a Política Nacional de Resíduos Sólidos e acompanhar a decisão do Presidente da República com relação a esta temática tão importante para nossa sociedade.

Estado do Mundo 2010 em Português

July 5th, 2010

Com o subtítulo Transformando Culturas – do Consumismo à Sustentabilidade, o relatório Estado do Mundo 2010, da organização The Worldwatch Institute (WWI), ganhou sua versão em português na última quarta-feira, 30 de junho, através de uma parceria com Instituto Akatu.

O Estado do Mundo 2010 traz relevantes informações sobre a situação atual do consumo e seus impactos. Segundo este, 1/6 da população mundial é responsável pelo consumo de 78% de tudo que é produzido no mundo. Só os Estados Unidos, que representam 5% da população mundial, abocanham a fatia de 32% do consumo global.

Se o modelo de consumo americano for compartilhado por todos os habitantes do planeta, este suportaria apenas uma população de 1,4 bilhão. No entanto, nós somos mais 6 bilhões, e a projeção da ONU é que em 2050 sejamos 9 bilhões.

Como transformar este modelo cultural saindo da era do consumismo e entrando na da sustentabilidade?

É sobre isso que o relatório trata – de que forma o nosso modelo de consumo está impactando o planeta e o que precisamos mudar. É uma mudança que cabe a cada um de nós, cidadãos, mas também ao setor público e privado.

Baixe o documento do site do Instituto Akatu e assista a entrevista com Hélio Mattar, diretor-presidente do Instituto Akatu, no Jornal das Dez da Globo News.

Saiba mais no site do WWI